É um indicador financeiro que mede a capacidade de uma empresa para cobrir as suas obrigações a curto prazo.

Teste ácido ou rácio de teste ácido: o que é e como calculá-lo?

O Teste Ácido, também conhecido como Acid Test Ratio, surge como um termómetro vital para medir a capacidade de um negócio fazer face às suas dívidas de curto prazo sem depender do seu inventário. Saiba mais sobre o assunto no artigo a seguir.

1. O que é o teste ácido?

O teste ácido, também conhecido como rácio de teste ácido ou rácio rápido, é um indicador financeiro que mede a capacidade de uma empresa para cobrir as suas obrigações a curto prazo sem depender da venda das suas existências. É um teste mais rigoroso de liquidez imediata do que o rácio de liquidez corrente, uma vez que exclui o inventário, que pode não ser tão líquido como outros ativos correntes.

Por outras palavras, o teste ácido avalia a capacidade da empresa para pagar as suas dívidas imediatas utilizando apenas os seus ativos mais líquidos, tais como caixa, investimentos a curto prazo e contas a receber.

Fórmula para calcular o teste de acidez:

Teste de acidez = Ativo Circulante – Existências/Passivo Circulante

Onde:

  • Ativos correntes: Inclui dinheiro, contas a receber, investimentos de curto prazo e outros ativos correntes.
  • Existências: Refere-se às existências de produtos ou outros bens que a empresa pretende vender ou utilizar num futuro próximo.
  • Passivo corrente: Representa dívidas e obrigações que a empresa deve pagar a curto prazo (geralmente dentro de um ano).

Um teste ácido superior a 1 indica que a empresa tem ativos líquidos suficientes para cobrir as suas obrigações a curto prazo sem depender da venda das suas existências. No entanto, um rácio inferior a 1 pode ser um sinal de alerta, pois sugere que a empresa pode ter dificuldade em cobrir as suas dívidas imediatas.

É importante lembrar que, embora o teste ácido seja uma ferramenta valiosa para avaliar a liquidez, não deve ser o único indicador utilizado. É essencial ter em conta outros rácios e fatores quando se analisa a saúde financeira de uma empresa.

2. Como é que o teste de ácido é interpretado?

A interpretação baseia-se no valor do cálculo e no que esse valor implica em termos de liquidez imediata.

As interpretações gerais da prova de fogo são as seguintes

  • Teste ácido > 1:

Se o rácio for superior a 1, indica que a empresa tem mais ativos líquidos do que passivos de curto prazo. Ou seja, tem liquidez imediata suficiente para cobrir as suas dívidas e obrigações de curto prazo sem necessidade de vender as suas existências.

Este é geralmente um sinal positivo, pois mostra que a empresa está numa posição financeira saudável no que diz respeito à sua capacidade de cumprir as obrigações imediatas.

  • Teste ácido = 1:
    • Um rácio de 1 implica que os ativos líquidos da empresa são exatamente iguais aos seus passivos de curto prazo. A empresa pode cobrir todas as suas obrigações a curto prazo, mas sem qualquer margem de manobra.
    • Esta situação é neutra, mas deve ser prudente e a liquidez deve ser monitorizada regularmente.
  • Teste ácido < 1:
    • Se o rácio for inferior a 1, sugere que a empresa não dispõe de ativos líquidos suficientes para pagar as suas obrigações a curto prazo sem recorrer à venda de existências ou à obtenção de financiamento adicional.
    • Este pode ser um sinal de alerta, especialmente se se mantiver ao longo do tempo, uma vez que indica um potencial problema de liquidez.

É importante notar que, embora o teste ácido forneça informações valiosas sobre a liquidez imediata, não fornece uma imagem completa da saúde financeira de uma empresa. A interpretação deste rácio deve ser feita no contexto de outros indicadores financeiros, do sector específico em que a empresa opera e das condições económicas gerais.

Além disso, a interpretação pode variar consoante o sector ou a indústria. Por exemplo, em alguns sectores, um teste ácido ligeiramente inferior a 1 pode ser aceitável devido à natureza das suas operações e ciclos de caixa, enquanto noutros pode ser motivo de preocupação. É essencial comparar o rácio com a média do sector e com empresas semelhantes para obter uma perspetiva mais clara.

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3. o que fazer quando o resultado do teste ácido não é o esperado?

Se o teste de acidez ou o rácio de teste de acidez apresentar um resultado que não é o esperado (demasiado elevado ou demasiado baixo), é importante tomar uma série de medidas para compreender a razão e decidir como reagir. Eis alguns passos a dar:

  • Verificar o cálculo: Antes de tomar decisões com base no resultado, é aconselhável certificar-se de que os números utilizados na fórmula estão corretos e que não existem erros no cálculo. Um pequeno erro nos dados introduzidos pode levar a uma interpretação incorreta.
  • Análise pormenorizada: Investigar e analisar as componentes individuais que contribuem para a Prova Ácida (caixa, contas a receber, investimentos a curto prazo e passivo a curto prazo) para determinar quais os fatores que afetam o resultado.
  • Comparar com períodos anteriores: Analisar a evolução da Prova Ácida ao longo do tempo. Se tiver havido uma mudança drástica, identificar os eventos ou decisões que a causaram.
  • Benchmarking: Comparar o Teste Ácido com o de outras empresas do sector da sua empresa. Isto ajudá-lo-á a compreender se o resultado é específico da sua empresa ou se se trata de uma tendência de todo o setor.
  • Avaliação estratégica: Se o teste de acidez for inferior a 1 e tal não for esperado, é vital considerar a forma de melhorar a liquidez a curto prazo. Tal pode incluir a aceleração da cobrança de dívidas, a revisão das políticas de inventário ou a renegociação das condições com os fornecedores.
  • Consultar peritos: É possível consultar um contabilista ou um consultor financeiro para obter uma segunda opinião sobre o resultado e as possíveis implicações para a sua empresa.
  • Plano de ação: Em função dos resultados da análise, elaborar um plano de ação. Se o teste ácido for inferior ao esperado, considerar estratégias para melhorar a liquidez. Se for mais elevado, considere se a empresa tem demasiados recursos inativos que poderiam ser investidos de forma mais produtiva.
  • Monitorização contínua: Uma vez identificadas e compreendidas as razões do resultado inesperado, é essencial monitorizar regularmente a prova de fogo e outros indicadores financeiros para garantir que a empresa se mantém no bom caminho.

Um resultado inesperado do teste ácido pode ser um sinal de que a estratégia financeira e operacional da empresa precisa de ser revista e ajustada. É crucial abordá-lo de forma proactiva para garantir a saúde financeira e o sucesso a longo prazo da empresa.

4. Quando é que se recomenda a sua utilização?

O rácio de teste ácido é um instrumento valioso para avaliar a liquidez imediata de uma empresa. Recomenda-se a utilização deste indicador numa variedade de situações para obter uma imagem clara da capacidade da organização para cumprir as suas obrigações a curto prazo sem depender das vendas de inventário. Eis alguns dos momentos em que o teste ácido é recomendado:

  • Análise financeira regular: Como parte de uma análise financeira regular, as empresas devem calcular e avaliar o seu Teste Ácido para monitorizar a sua saúde financeira e detetar potenciais problemas de liquidez antes de se tornarem crises.
  • Antes de tomar decisões financeiras importantes: Ao considerar decisões como a expansão das operações, o investimento em novos projetos ou a aquisição de outra empresa, é vital avaliar a liquidez imediata para garantir que a empresa tem o fluxo de caixa para apoiar essas decisões.
  • Candidatar-se a empréstimos: Antes de solicitar um financiamento ou renegociar as condições com os credores, é aconselhável conhecer o Teste Ácido da empresa. Os bancos e outros credores podem utilizar este rácio para avaliar a capacidade de crédito a curto prazo da empresa e determinar se esta representa um risco de crédito aceitável.
  • Avaliação do investidor: Os potenciais investidores podem utilizar a Prova Ácida para determinar a saúde financeira de uma empresa antes de decidirem investir. Uma Prova de Ácido saudável pode ser um sinal atrativo para os investidores.
  • Durante períodos económicos incertos: Em tempos de incerteza económica ou recessões, é especialmente crucial avaliar a liquidez imediata para se preparar para possíveis cenários adversos e garantir que a empresa pode cumprir as suas obrigações a curto prazo.
  • Antes de efetuar grandes aquisições ou investimentos: Se uma empresa está a considerar um investimento significativo ou uma compra importante, deve avaliar a sua liquidez imediata para garantir que não comprometerá a sua capacidade de cobrir as obrigações a curto prazo.
  • Comparações sectoriais: É útil calcular o teste ácido para comparar com outras empresas do mesmo setor ou indústria. Isto dá uma perspetiva sobre o desempenho da empresa em relação aos seus concorrentes em termos de liquidez.
  • Durante a preparação ou revisão do orçamento: Ao planear e rever o orçamento, é aconselhável considerar o Teste de Ácido para garantir que a empresa mantém uma liquidez adequada no futuro.
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Em suma, a Prova Ácida é uma ferramenta essencial que pode e deve ser utilizada em vários momentos e contextos para obter uma imagem clara da saúde financeira imediata de uma empresa.

5. Quais são os rácios mais importantes?

Os rácios financeiros são ferramentas essenciais que fornecem uma visão quantitativa da saúde e do desempenho de uma empresa. Os rácios mais importantes variam em função do contexto e do objetivo da análise, mas eis alguns dos rácios financeiros mais importantes habitualmente utilizados no mundo empresarial:

  • Rácios de liquidez:

– Rácio de Liquidez: Ativo Circulante / Passivo Circulante.

Acid Test: (Ativo Circulante – Existências) / Passivo Circulante.

  • Rácios de Solvabilidade:

Rácio de Endividamento: Total do Passivo / Total do Ativo.

Rácio de Capital Próprio: Capital próprio / Ativo total.

  • Rácios de rentabilidade:

– Margem Bruta: (Vendas – Custo das Mercadorias Vendidas) / Vendas.

Margem operacional: Lucro operacional / Vendas.

Margem Líquida: Lucro Líquido / Vendas.

– ROA (Rendimento do Ativo): Lucro Líquido / Ativo Total.

– ROE (Rendimento do capital próprio): Lucro Líquido / Capital Próprio.

  • Rácios de Eficiência:

– Giro de Estoque: Custo das Mercadorias Vendidas / Estoque Médio.

– Dias a Receber: (Contas a Receber / Vendas) x 365 dias.

– Dias de pagamento: (Contas a pagar / Compras) x 365 dias.

  • Rácios de Mercado (relevantes para empresas cotadas):

– PER (Price Earning Ratio): Preço da ação / Resultados por ação.

– Price to Book Value Ratio: Preço da ação / Valor contabilístico por ação.

– Yield ou Dividend Yield: Dividendo por ação / Preço da ação.

  • Rácios de estrutura de capital:

– Rácio dívida/capital próprio: Dívida total / Capital próprio.

– Rácio de cobertura de juros: Lucro operacional / Despesas financeiras.

  • Rácios de crescimento:

– Rácio de Crescimento das Vendas: (Vendas do ano atual – Vendas do ano anterior) / Vendas do ano anterior.

– Taxa de crescimento do lucro líquido: (Lucro líquido do ano atual – Lucro líquido do ano anterior) / Lucro líquido do ano anterior.

Estes são apenas alguns dos rácios financeiros mais utilizados. É essencial recordar que nenhum rácio isolado fornecerá uma imagem completa da saúde de uma empresa. Os analistas e gestores utilizam frequentemente uma combinação destes rácios, tendo também em conta outros fatores qualitativos, para formar um juízo informado sobre o desempenho e a situação financeira de uma empresa.

6. Quais são as diferenças entre o rácio de liquidez e o teste de acidez?

O rácio de liquidez e o teste ácido são ambos indicadores financeiros que avaliam a capacidade de uma empresa para cumprir as suas obrigações a curto prazo. No entanto, existem diferenças fundamentais entre os dois em termos da forma como são calculados e do que medem. As principais diferenças são apresentadas em seguida:

  • Componentes incluídos:

– Rácio de Liquidez (Rácio Corrente): calculado dividindo o total de ativos correntes (que incluem caixa, contas a receber, investimentos de curto prazo e inventários) pelo passivo corrente.

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Teste ácido: calculado dividindo os ativos correntes mais líquidos (excluindo as existências e outros ativos não imediatamente convertíveis em dinheiro, como os pagamentos antecipados) pelo passivo corrente.

  • Abordagem da liquidez:

– Rácio de liquidez: mede a capacidade da empresa para pagar as suas dívidas de curto prazo utilizando todos os seus ativos correntes, mesmo que tenha de vender as suas existências.

– Teste ácido: Avalia a capacidade da empresa para pagar as suas dívidas a curto prazo sem ter de vender as suas existências. É uma medida mais rigorosa de liquidez imediata.

  • Sensibilidade aos níveis de existências:

– Rácio de liquidez: É mais sensível a alterações nos níveis de inventário, uma vez que o inventário é um dos seus componentes. Se uma empresa tiver um nível elevado de existências, isso pode inflacionar o seu rácio de liquidez.

– Teste ácido: Ao excluir o inventário do cálculo, este rácio é menos sensível a alterações nos níveis de inventário.

  • Interpretação:

Rácio de Liquidez: Um valor acima de 1 sugere que a empresa tem ativos correntes suficientes para cobrir o seu passivo corrente. No entanto, um valor muito superior a 1 pode indicar que existem demasiados recursos imobilizados em ativos correntes, o que pode não ser eficiente.

– Rácio de liquidez: Um valor superior a 1 sugere que a empresa tem ativos correntes suficientes para cobrir o seu passivo corrente. No entanto, um valor muito superior a 1 pode indicar que existem demasiados recursos imobilizados em ativos correntes, o que pode não ser eficiente.

Em suma, embora ambos os rácios avaliem a liquidez de uma empresa, o teste ácido é uma medida mais rigorosa e centra-se na liquidez imediata, excluindo os ativos que não podem ser liquidados rapidamente, como o inventário. Por outro lado, o rácio de liquidez considera todos os ativos correntes, fornecendo uma perspetiva mais ampla sobre a capacidade de uma empresa para cobrir as suas responsabilidades a curto prazo. É importante utilizar ambos os rácios em conjunto para obter uma imagem completa da saúde financeira de uma empresa.

7. Teste ácido e otimização da gestão de custos

O teste ácido é um rácio financeiro essencial que avalia a capacidade de uma empresa para cobrir as suas obrigações a curto prazo utilizando os seus ativos mais líquidos, sem depender da venda de inventário. Trata-se de uma métrica rigorosa que permite conhecer a liquidez imediata e, por conseguinte, a solidez financeira de uma organização.

Num contexto empresarial em que a eficiência e a organização são fundamentais, ferramentas digitais como a Tickelia são aliadas estratégicas. Tickelia é uma solução avançada de gestão de despesas empresariais que permite às empresas e aos seus empregados gerir e comunicar as despesas de forma automatizada e estruturada. Com a Tickelia, as empresas podem digitalizar e automatizar todo o processo de gestão de despesas, desde o relatório e aprovação até ao lançamento no ERP, otimizando tempo e recursos.

A implementação da Tickelia não só favorece uma maior organização e controlo das despesas da empresa, como também contribui para melhorar o rigor e a fiabilidade dos dados que alimentam o cálculo de rácios como o Acid Test. Ao centralizar e automatizar os processos, reduz-se a margem de erro, melhora-se a rastreabilidade das transações e proporciona uma visão mais clara e atualizada da situação financeira da empresa.

A capacidade da Tickelia de fornecer análises de dados em tempo real também apoia a tomada de decisões estratégicas, permitindo que as empresas se adaptem com agilidade às mudanças nas condições do mercado e mantenham uma situação financeira saudável, conforme indicado por um Teste Ácido robusto. Em suma, ferramentas como a Tickelia, ao otimizar e automatizar a gestão das despesas, são essenciais para melhorar a precisão na avaliação da saúde financeira de uma empresa através de rácios como o Teste Ácido.

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Bea Naveros
Redatora de conteúdo na Inology. Licenciada em Publicidade e Relações Públicas pela Universitat Autònoma de Barcelona.
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